segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Por trás das Câmeras da super-produção: "BEN-HUR"




Imagens reproduzidas da FanPage:
Facebook/Cinema Paradiso - O Museu do Cinema.
Por trás das Câmeras da super - produção: "BEN-HUR".
Ano 1959,  direção de William Wyler.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sergipe e o Cinema Novo: O resgate a Waldemar Lima



Texto publicado no Facebook/Luiz Eduardo Oliva, em 03.10.2017.

Sergipe e o Cinema Novo: O resgate a Waldemar Lima (*).

Por Luiz Eduardo Oliva (**)

No célebre livro “As paixões e os Interesses” que pontificou nos meios acadêmicos entre os anos 70 e 80 o economista político alemão Albert Hirschman lembra o filósofo Santo Agostinho que dizia que os três principais pecados do homem decaído era a ânsia por dinheiro e bens materiais, o desejo sexual e o desejo de poder, a que chamou de “libido dominandi”.

Agostinho condenou essas três “paixões humanas”, mas atenuou a última quando esta se combina com um forte anseio por louvor e glória. Para ele havia uma "virtude civil" que caracterizava, por exemplo, os 77 romanos, "os quais mostraram um amor babilônico por sua pátria terrestre", substituindo o “desejo de riqueza e muitos outros vícios, por um único vício: o anseio pelo louvor" onde a busca da honra e glória estaria no critério de avaliação da virtude e grandeza do homem.

Assim, atenuando uma das paixões condenadas, Santo Agostinho compreendeu que era e é, da natureza humana, essa busca pela glória que, naturalmente nos povos sempre se deu pelas grandes conquistas. Quando Luís de Camões escreve os Lusíadas ele se refere à honra e glória de Portugal. Há em Homero, tanto na Ilíada como na Odisseia, a exaltação à Grécia, seu povo, sua engenhosidade e bravura.

A reverência aos heróis é antes uma reverência à pátria. Homens e pátria dizem desse “amor babilônico” que destaca cada povo e cada localidade. Quando destacamos nossos grandes nomes queremos exaltar a nós mesmos, a nossa origem, o amor ao rincão, à aldeia. Os baianos, sobretudo, são pródigos em exaltar sua gente. Sergipe, embora seja um Estado altamente rico pela inteligência de seus filhos e filhas é, todavia negligente em cultua-los ou exaltar a inteligência sergipana e a sergipanidade.

Digo isso para me referir à figura de um esquecido sergipano: o fotógrafo e cineasta Waldemar Lima, nascido em Aracaju em 1939 e que viria a ser um dos principais expoentes do mais fascinante momento de renovação do cinema brasileiro – e até mundial – o chamado cinema novo onde a figura central é o baiano Glauber Rocha. Waldemar Lima vem a ser o assistente de direção do filme “Barravento” e o diretor de fotografia no revolucionário “Deus e o Diabo na terra do sol” considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. Pois bem, é desse Waldemar Lima que se busca reverenciar como uma das glórias sergipanas que, quase esquecido, por ato realizado esta sexta-feira no Tribunal de Contas, sob a batuta do conselheiro e cinéfico Clovis Barbosa é resgatado.

Waldemar viveu em Aracaju até os 26 anos onde desenvolveu por moto próprio a arte da fotografia. Migra à Bahia, se integra a um movimento de discussão do cinema, conhece Glauber Rocha e depois vem a ser, junto com o célebre baiano talvez a figura mais importante do cinema novo pela revolução que impõe com o domínio da luz e o uso da câmara.

Conheci Waldemar Lima ao acaso quando, nos idos de 1989, ele resolve voltar a Aracaju onde monta uma pequena produtora de vídeos em VHS. Embora consagrado fora do seu estado, em Sergipe continuava um ilustre desconhecido. Àquela época, eu à frente do Centro de Cultura e Arte da UFS, o Cultart, tive a oportunidade de desenvolver boa amizade com Waldemar que realizou trabalhos de vídeo tendo documentado os últimos grandes festivais de arte de São Cristóvão. Mas como santo de casa não faz milagres, não houve nem o reconhecimento nem a compensação mínima para a sobrevivência e Lima retornou a São Paulo.

Só vou reencontra-lo, mais uma vez ao acaso em 2005 quando ele me revelou (sem trocadilhos fotográficos) que tinha fotografado o centenário de Aracaju em 1955 e as fotos continuavam inéditas e desconhecidas, embora os negativos estivessem bem conservados. Diante daquele tesouro desenvolvemos a ideia de uma exposição das fotos com poemas meus para participar das comemorações dos 150 anos de Aracaju. Mas porque já havia uma programação, o projeto não foi adiante. Tivemos outras tentativas sem frutos até Waldemar falecer em 2012.

Recentemente provocando o conselheiro presidente do Tribunal de Contas do Estado Clóvis Barbosa, que coordena um projeto cultural naquele tribunal, topou o resgate da figura de Waldemar Lima. O resultado foi um documentário sob a direção do talentoso Pascoal Maynard, o “Concurso de Roteiros Waldemar Lima Um Minuto Cidadão” para exibição da TV Aperipê, a edição do livro “Waldemar lima, uma câmera e uma ideia de luz” organizado pelo brilhante jornalista Marcos Cardoso e a exposição das fotos inéditas com poemas meus e sob a regência gráfica da talentosa designe Germana Araújo. As fotos estarão expostas durante um mês no TCE. Em Aracaju vieram familiares de Lima e velhos amigos do ciclo de cinema baiano, o Carlos Modesto, José Humberto e Roque Araújo, uma lenda viva do cinema novo.

Waldemar era um apaixonado pela luz. Sua sensibilidade para com a luz só era comparável à sensibilidade do celuloide de um filme aza 400. Seu olho era mais sensível que o diafragma de uma rolleiflex. Mas era principalmente a sensibilidade de um filho do sol, do escaldante sol nordestino, do miraculoso e altamente iluminado sol de Aracaju. Essa sensibilidade que ele levou à Bahia e no encontro mágico com Glauber Rocha, fundindo o gênio sergipano com o gênio baiano, houve a reinvenção do cinema, conhecido mundialmente como Cinema Novo. Certamente um cinema que teve origens também no talento de Waldemar Lima, forjado no sol de Aracaju demonstrado naquelas fotos feitas há 62 anos quando a capital dos sergipanos era apenas uma cidade comemorando o seu primeiro centenário.

Importante destacar que a grande referência inovadora do Cinema Novo é a estética que ele apresenta, do movimento da câmara, o aproveitamento com realismo e total genialidade da luz dos trópicos, da luz nordestina, da luz da Bahia. E isso é Waldemar Lima, o sergipano laureado como o principal diretor de fotografia do Cinema Novo.

Na sua simplicidade quase franciscana Waldemar não demonstrava o gênio que ele era. Comportava-se como os filmes negativos que necessitavam da câmara escura para o processo de revelação. Resgatar Waldemar Lima e sua obra é brindar a alma sergipana, à glória da nossa gente, é reverenciar um saber da sergipanidade. Waldemar Lima, um gênio da raça sergipana.

(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade, edição de 30 de setembro a 02 de Outubro de 2017.

(**) Luiz Eduardo Oliva, advogado, poeta e professor. Ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Luiz Eduardo Oliva.

sábado, 30 de setembro de 2017

Um Operário do Cinema | Waldemar Lima


Documentário produzido pelo TCE/SE, dirigido por Pascoal Maynard, 
sobre o fotógrafo cinematográfico sergipano Waldemar Lima, 
diretor de fotografia do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha.

Registro: Cena audiovisual sergipana se movimenta

 Making of do filme Seu Euclides, de Marcelo Roque.
Foto: Moema Costa.

 Cena dois do filme de Marcelo Roque (Foto: Moema Costa).

 Marcelo Roque em ação (Foto: arquivo pessoal).

 Rafael Heleno e Tia Mary no curta 'Thank U Dona Marlene'.
Foto: arquivo pessoal.

 Público prestigia exibição de curtas produzidos em Sergipe.
Foto: divulgação.

 Curta-SE ajuda a movimentar a cena local.
Foto: divulgação.

 Exibição de curtas no NPD Orlando Vieira.
Foto: divulgação.

 Sessão de cinema do Curta-SE tem público cativo.
Foto: divulgação.

 Aula de edição no NPD Orlando Vieira.
Foto: divulgação.

 Externa da oficina de filmagem do NPD Orlando Vieira.
Foto: divulgação.

 Filmagens realizadas pelos alunos do NPD (Foto: Divulgação).

 Rosânsela Rocha (Foto: Silvio Rocha).

Anderson Bruno (Foto: arquivo pessoal)

Gabriela Caldas registra apresentação de grupos folclóricos de Sergipe 
Foto: arquivo pessoal.

Publicado originalmente no site da PMA, em 30/08/2010.

Cena audiovisual sergipana se movimenta

Por Aline Braga

Curta-metragem é a palavra-chave dessa história. É de 15 em 15 minutos - tempo médio dos filmes carinhosamente apelidados de ‘curtas'- que a cena audiovisual sergipana se movimenta. Entre produções de 35, 16 e 8mm, Super 8 e digital, a trajetória audiovisual ‘serigy' é de consumir longas e produzir curtas. No ano em que o Festival Iberoamerico de Cinema de Sergipe (Curta-SE) completa uma década há de se fazer uma reflexão. Algumas ações andam incrementando o cenário audiovisual com opções em vários pontos da cidade.

Hoje, além das salas de cinema comercial, o aracajuano pode ver produções sergipanas e nacionais na Rua da Cultura, no Sesc Centro, no Palácio-Museu Olímpio Campos, na Casa Curta-SE, no Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira, no Cine CUT (Central Única dos Trabalhadores) e no Espaço Cultural Imbuaça.

Isso sem contar a vazão de inúmeros trabalhos pela TV Aperipê, em programas como o semanal ‘Olha Aí'. No entanto, apesar da expansão dos espaços de exibição, atualmente o ritmo de produção e a manutenção do acervo daquilo que já foi produzido geram algumas lacunas.

A durabilidade do Curta-SE fez surgir, ou ao menos incentivou, a realização de vários trabalhos - diga-se que têm cumprido seu papel. Talvez não com a excelência do Festival Nacional de Cinema (Fenaca), protagonizado pela Universidade Federal de Sergipe e pelo Clube de Cinema Sergipano de 1972 a 1981. Sem dúvida o período de maior ebulição da cena.

De acordo com videomaker e cinéfilo Djaldino Mota Moreno, o movimento superoitentista no estado, que surgiu na década de 70, gerou cerca de 60 filmes, mas de lá para cá muita coisa mudou. "São momentos distintos. Antes o pessoal fazia em Super 8 e, à época, o Fenaca aqui levou o pessoal a produzir todo ano, mas falta visibilidade, as coisas aqui acontecem e somem, não há memória", critica Djaldino.

Mão na massa

Parte da memória mais recente encontra-se na Casa Curta-SE que, à sua maneira, serviu de termômetro, catavento e asilo para o que se produziu nessa última década. Exemplo concreto é a viodemaker Gabriela Caldas, que hoje coordena o Núcleo de Produção Especial da TV Aperipê e começou indiretamente por causa do festival.

"Sou da geração que não tinha videocassete. Cresci vendo Super 8, brincava na moviola e tinha verdadeira fascinação por cinema. Fui para o Curta-SE 2 e tinha um filme, ‘Pretensão de Cú é Rola', feito por um amigo meu, Vinícius Leite. Aí vi que não era uma coisa muito distante", conta Gabriela. Formada em Artes Visuais, em 2003 ela fez ‘Elipse', que ganhou prêmio de um festival na internet e menção honrosa na Curta-SE na categoria vídeo.

Aí veio ‘A morrer', uma produção maior que mereceu o prêmio de júri popular e melhor filme sergipano no mesmo festival. "Depois desse não fiz mais curtas tão produzidos. As pessoas ficaram falando: ‘Você fez uma coisa pretensa a profissional, com equipe grande. Acho que o profissional tem que ser uma coisa mais artesanal'. Aí comecei a caminhar no sentido inverso", conta.

Com ritmo desacelerado, vieram depois em 2007 ‘Epifani' e, em 2009, ‘Resfriado'. Gabriela sem querer se tornou uma referência de produção para quem veio depois disso, como Marcelo Andrade, 20 anos. Ele é estudante do 4º período do curso de Audiovisual da UFS, que, à parte de ter inaugurado o curso em 2009, desde o final do Fenaca, em 1981, renunciou o protagonismo na cena audiovisual.

Sendo assim, o estudante Marcelo encontrou refúgio em outro lugar. Seu curta ‘Bloody Jack', feito em grupo, foi exibido no Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira - unidade mantida pela Prefeitura de Aracaju - Rede Olhar Brasil / Ministério da Cultura - como resultado de uma das oficinas que já fez por lá. Estimulado pela quantidade de lugares para exibição, ele pretende seguir produzindo por conta própria.

Capacitação

Inaugurado em novembro 2006, o NPD teve em sua primeira gestão Indira Amaral, Paulo Rogério e a videomaker Gabriela Caldas. Hoje quem coordena é Graziele Ferreira, 31 anos, também videomaker. Além do trabalho de formação de público com os projetos ‘Mergulho no Cinema' e a ‘Paralela Infantil', o núcleo capacita futuros videomakers. Foi por meio dessa lógica ‘vê e produz' que Marcelo exibiu seu ‘Bloody Jack'.

Parte do grupo de jovens de 20 e poucos anos que engrossou o caldo do audiovisual em Sergipe na última década, Graziele filmou em 2007 o curta-metragem ‘A Parede', baseado em uma história factual. Em 2008, com roteiro da artista plástica Hortência Barreto, o curta ‘Caju em cachos de crochê', que retrata uma instalação de Hortência.

"As mostras do núcleo estimulam o consumo dessas imagens e a formar um pensamento crítico. Essa é a diferença principal entre o perfil cineclube e a sala de exibição comercial. O cineclube é a janela do produtor independente", afirma Graziele. O cine da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD) reivindica esse papel.

Cineclube

Formado por realizadores, inclusive por Graziele, a ABD faz atualmente a exibição de filmes da Rua da Cultura, com curadoria de Anderson Bruno, videomaker desde 2003 e atual presidente da associação no estado. Produziu ‘A cadeira, os créditos e o específico fílmico' e ‘Thank You Dona Marlene', ambos com direção e roteiro próprio. O primeiro, carinhosamente apelidado de ‘A Cadeira', ganhou como melhor vídeo sergipano no Curta-SE. Em 2005 veio ‘Negro Amor'.

"Para fazer os outros filmes, precisei vender algumas coisas e pedir dinheiro aos meus pais. Vi que é difícil conseguir patrocínio, mas aprendi que o patrocinador precisa estar consciente do que é o curta-metragem, que não vai ter a amplitude dada pelo cinema comercial", comenta Anderson.

Por essas dificuldades, muitos dos realizadores apontam para a necessidade de editais que incentivem a produção, a capacitação e a distribuição das obras audiovisuais. O realizador sergipano Marcelo Roque, 42 anos, sabe dos benefícios de ser contemplado por um.

Por meio do Banco do Nordeste, ele produziu em 2007 o filme ‘Seu Euclides: Parafuso' e, em 2009, a continuação, ‘Seu Euclides: Chegança', que já participou de 10 festivais pelo Brasil, inclusive do Curta-SE. Com 12 documentários no currículo, mais os vídeos ‘O Perfeito', ‘Quebra-Cabeça' e a ‘A Paquera', de 2000, Marcelo vem movimentando a cena cultural de Aracaju. Ele é um dos que, como Rosângela Rocha, idealizadora do Curta-SE, participou do Cineclube Fantomas e das oficinas que reacenderam o movimento há 10 anos.

Marcelo vem buscando aos poucos deixar seus filmes para vender em alguns lugares da cidade. Paralelamente produz outros filmes e espera o resultado do BNB para a produção do terceiro filme da série ‘Seu Euclides', com a história do festejo folclórico Lambe Sujo, de Laranjeiras. Ele é do tipo que segue andando, às vezes em grupo, às vezes sozinho, talvez pelo diagnóstico que faz do movimento da classe na cidade.

"Ainda vejo ações isoladas, que precisam de uma firmeza. As que existem hoje a qualquer momento podem sumir. O clássico 'boom' que a gente viu foi com a Embrafilme, depois ressurgiu pela Lei de Cultura. Em Aracaju a gente nunca retomou totalmente", analisa Marcelo.

Possibilidades

Quem talvez tenha condições de dar novo fôlego para isso seja o Pontão Avenida Brasil. Ele é hoje a entidade que realiza o Curta-SE e é quem vai instalar na rua 24 horas uma nova sala comercial para exibir filmes ‘lado B'. Assim que voltar a funcionar, o antigo Cine Vitória, transformado em Sala Avenida Brasil, será também um dos pontos de exibição da capital.

Com a proposta de ser independente e fugir do cinemão, de acordo com Rosângela Rocha, o cine servirá para trazer novos diretores a Aracaju, lançar filmes e continuar com a capacitação. Sobre a área, ela afirma: "Há de ser pensar coletivamente".

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

Registro: Homenagens a Waldemar Lima

Artigo de Hamilton Oliveira, em homenagem ao
fotógrafo cinematográfico Waldemar Lima.

Waldemar Lima.

 Programa Expressão, apresentado por Pascoal Maynard, 
exibido no dia 29 de setembro de 2017, na Aperipê TV, 
a nata da cinematografia do cinema novo da Bahia: Carlos Modesto,
José Umberto, Roque Araújo e o pesquisador e escritor
Gilfrancisco Santos. Homenagem do TCE/SE, ao fotógrafo 
cinematográfico sergipano Waldemar Lima.

Registro: Homenagem ao cineasta Waldemar Lima




Texto publicado originalmente no Portal Infonet, em 29/09/2017.

Sexta Cultural do TCE homenageia Waldemar Lima

O cineasta é autor de várias obras cinematográficas

A Sexta Cultural do Tribunal de Contas fará uma homenagem neste dia 29 ao cineasta Waldemar Lima. Natural de Aracaju, falecido em 2012 aos 82 anos, autor de várias obras cinematográficas, ele ficou conhecido como diretor de fotografia do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, obra-prima de Glauber Rocha. A homenagem tem o apoio da Prefeitura de Aracaju, da Secretaria de Estado da Cultura, da Fundação Aperipê e da Segrase.

O presidente do TCE/SE, Clóvis Barbosa, o conheceu pessoalmente e considera que Sergipe devia essa homenagem a Waldemar Lima, profissional que é lembrado nacionalmente e até no exterior. “Quando eu vi umas fotografias feitas por ele no centenário de Aracaju, em 1955, apaixonei-me pela ideia de promover uma exposição. Agora, presidente do Tribunal de Contas, onde temos procurado resgatar essas histórias de grandes nomes sergipanos que fizeram sucesso, como é o caso dele, considerado um dos melhores fotógrafos cinematográficos, resolvemos não só realizar a exposição fotográfica com as belas imagens captadas naquela Aracaju do passado, onde ele aprendeu a arte da fotografia”, revelou.

Além da exposição fotográfica e catálogo intitulados “Centenário de Aracaju”, ilustrada por poemas de autoria de Luiz Eduardo Oliva, a homenagem no Espaço Cultural do TCE constará também do lançamento de um livro biográfico, intitulado “Uma Câmera e uma Ideia de Luz”, organizado pelo jornalista e diretor de Comunicação do TCE, Marcos Cardoso, e a exibição do documentário “Um operário do cinema”, realizado pelo jornalista Pascoal Maynard.

Também será entregue o Prêmio Waldemar Lima aos três roteiros vencedores do concurso “1 Minuto Cidadão”. Os escolhidos foram: “Politicamente Incorreto”, de Luiz Michael, na categoria Corrupção; “Boca Aberta”, por Sérgio Borges, na categoria Transparência; e “Atenção”, escrito por Glória Grazielle da Costa, que foi o melhor roteiro na temática Cidadania. Além de terem os filmes realizados pela TV Aperipê, cada um fará jus à quantia de R$ 5 mil.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

Homenagem a Djaldino Mota Moreno

Foto: Jornal do Dia, reproduzida do site: infonet.com.br
Postada pelo blog "Cinemateca da Saudade", 
para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 29/09/17

Justiça e gratidão
Por Amaral Cavalcante.

Participei das homenagens prestadas pelo TCE/Se. ao fotógrafo Waldemar Lima, um sergipano de merecido destaque na arte cinematográfica, companheiro de Glauber Rocha na invenção do Cinema Novo.

Waldemar, com uma câmera na mão e o tropicalismo na cabeça, imprimiu aquela luz absurdamente tropical que caracteriza a produção do cineasta baiano em filmes cult como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Barravento”.

Do elogiável trabalho da Equipe comandada por Clóvis Barbosa, no TCE - que vem tratando de reavivar na memória dos sergipanos os heróis esquecidos da sua cultura - resultaram um livro sobre o homenageado organizado por Marcos Cardoso, um filme documentário produzido por Pascoal Maynard e uma exposição de fotos antigas de Aracaju pontuadas por trechos de poemas de Luiz Eduardo Oliva.

Uma justa homenagem, sobretudo oportuna. Na solenidade, o que mais me tocou foi a manifesta gratidão de Clóvis Barbosa - investido da honrosa condição de presidente do nosso Tribunal de Contas - a Djaldino Mota Moreno, seu mentor cultural na juventude quando integrava a JOVREU, com quem aprendeu a valorizar a arte e a cultura como essenciais à formação integral do cidadão. Em grande parte do seu discurso, o bem sucedido advogado e homem publico revelou que foi sob a liderança de Djaldino que aprendeu a apreciar e a fazer cinema, a promover encontros e debates culturais e, principalmente, a ser um cidadão socialmente correto.

Djaldino estava lá, ancho de satisfação, a receber a benéfica gratidão do seu antigo pupilo com os olhos marejados; uma sensação que deveria ser estendida a tantos que, como ele, estiveram algum tempo removendo da pasmaceira provinciana que até hoje nos acomete, as mais brilhantes individualidades.

E como este reconhecimento torna-se cada dia mais raro entre nós, confesso que tive inveja de Djaldino.

Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Benjamin, uma vida voltada para o cinema de Estância/SE.


Publicado originalmente no site de A Tribuna Cultural, em 29/02/2012.

Momento de Saudade - Benjamin, uma vida voltada para o cinema de Estância/SE. 

Benjamin de Souza Alves nasceu em Vila Cristina, hoje Cristinápolis/Se, no dia 29 de setembro de 1923 (no mesmo ano da fundação do Cine-Teatro São João). Com cinco anos de idade veio com seus pais residir em Estância, onde aos seis anos iniciou seus estudos no Grupo Escolar ‘Gumersindo Bessa’.

Quando completou oito anos de idade, foi estudar na escola da professora Ofenísia Soares, que ficava na Rua do Pompeu (caminho do Porto), e aos nove anos para ajudar a família, tornou-se vendedor de jornais e revistas, tais como: Carioca, O Molho, O Imperial, etc. Logo depois passou a trabalhar com Elias Gringo, como era conhecido o comerciante mascate, que andava pelas ruas, batendo um metro de madeira, divido ao meio por uma dobradiça, sempre acompanhado de um senhor que carregava um baú na cabeça, cheio de tecidos e bijuterias.

Com a idade de onze anos, conseguiu um emprego com o então Lauro Santana, proprietário do jornal “Voz do Povo”, como aprendiz de Dionísio.

Em 1935, deixou “Voz do Povo”, para trabalhar na loja “Flor da Síria”, pertencente ao árabe Abdon Uehbe, casa especializadas e, fazendas e bijuterias, localizada na rua Capitão Salomão.

No Cinema. 

Aos 13 anos, apaixonou-se pelas imagens cinematográficas ao ver na tela do cinema do cinema “São João” o filme ‘Tarzan, o filho das selvas’, foi a primeira vez que assistira um filme. Aproximou-se do funcionário do cinema conhecido por João Barriga, para ver a possibilidade de varrer a casa de diversões nos dias de domingo e com isso ter acesso às matinês, gratuitamente, o que de imediato conseguiu.

Benjamin foi convidado pelo proprietário Diógenes Freire Costa para ser bilheteiro do cinema nas sessões da noite. Durante o dia, permaneceu no seu atual emprego com o árabe Uehbe.

Com o passar do tempo despediu-se da loja ‘Flor da Síria’. Daí passou a trabalhar com Díogenes em seu armazém de secos e molhados durante o dia, e à noite, como bilheteiro do cinema.

No cinema, durante meses após a prestação de contas das soirês, ele subia à cabine para aprender os segredos das projeções. Treinava artesanalmente com ardor na colagem e rebobinamento das partes dos filmes. Quem ensinou essa arte a Benjamin foi um senhor por nome de João de Deus.

O batismo de Benjamin, como operador cinematográfico aconteceu numa certa noite de domingo de 1937, motivado pela falta do operador João de Deus ao serviço.

Três anos mais tarde, em 1940, foi comprado outro aparelho, e Benjamin passou a ser a operador cinematográfico definitivo. Aos 17 anos de idade estava oficializada a sua profissão, da qual até hoje ele se orgulha.

Benjamin deu seu adeus Cine-Teatro ‘São João’ no dia 20 de agosto de 1980, dando sua última projeção com o filme “Os Discípulos de Shao Lin”. No dia seguinte, o, o cinema foi fechado definitivamente pelos irmãos Renato e Nivaldo Silva Carvalho. Foram 43 anos de trabalho e carinho dedicados a este cinema. Um triste fim para este local de saudade, onde fomos felizes em empolgamento proporcionados por essa figura humana notável.

Benjamin continuou trabalhando no depósito da empresa dos irmãos Silva que foram seus últimos patrões.

Renato e Nivaldo Silva também compraram o Cinema Guarani (o último de Estância), e mantiveram o velho operador durante o dia trabalhando no depósito e a noite no cinema, como gerente e porteiro.

Benjamin de Souza Alves atualmente vive com um baixo salário como funcionário da Prefeitura Municipal de Estância.

Este homem de sete instrumentos que fazia de tudo no Cine-Teatro ‘São João’ e que com suas mãos bem treinadas nos deu a alegria daqueles momentos sedutores do fluir dos fotogramas nas matinês, matinais e soirês jamais será esquecido por todos aqueles que um dia assistiram um filme no Cine-Teatro “São João” projetado por este manipulador de emoções.

Redação A Tribuna Cultural.com.br

Texto e imagem reproduzidos do site: atribunacultural.com.br