segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A História dos Filmes Polêmicos da década de 60

Publicado originalmente no site do jornal Diário do Nordeste, em 14.10.2012 

A História dos Filmes Polêmicos da década de 60. 

Por Editor DN.

Na década das mudanças mais marcantes da História da Civilização, o cinema não só acompanhou, mas influenciou a nova visão que o mundo exigia e a qual foi percebida por uma juventude que se postou revolucionária. Os hippies, digo, os filhos dos ricos da América (como gosta de ser chamada a nação que criou Hollywood) saíram da tutela e da subjugação aos pais e botaram os pés na estrada bradando o rock and roll e o amor livre; a mulher estadunidense, por sua vez influenciada pelas europeias em confronto e busca de liberdade conforme expostas pelos filmes da Nouvelle Vague também faziam a sua parte nas mudanças impondo a liberalidade sexual; e as guerras e ditaduras eram alvos de combate em várias partes do mundo. E, teve ainda, os Beatles, Rollings, os filmes ousados da França e da Inglaterra, a consciência da inaceitabilidade do racismo, o cinema europeu adentra o social, a política e o sexo e abre caminho para que Hollywood, influenciado pela nouvelle vague, com uma nova geração de cineasta e produtores, também acompanhe as mudanças… Ah, uma época como nenhuma outra…


MUNDO CÃO (Mondo Cane, Itália, 1972), de Paolo Cavara, Gualtiero Jacopetti e Franco Prosperi. 108 minutos.

Quando lançado no Festival de Cannes, a crítica o denominou de shockdocumentary, ou seja, “documentário chocante”, pelo seu autêntico apanhado de bizarrices, incríveis, depravadas e chocantes, protagonizadas pela raça humana. Apesar dos protestos, foi premiado na Itália com o David Di Donatello (o Oscar de lá), abriu uma janela para o documentário e foi exaustivamente copiado.


LOLITA (Lolita, Inglaterra/EUA, 1962), de Stanley Kubrick, com Sue Lyon e James Mason. 152 minutos.

Baby Doll reapareceria 6 anos mais tarde na adaptação do célebre e odiado romance Lolita, de Vladimir Nabocov (1899-1977), lançado em 1955 e então alvo de protestos de entidades conservadoras. Enquanto Kubrick (1928-1999) questiona a pretensa inocência da juventude, milhares de pessoas e entidades protestaram contra a adaptação da história em que um homem mais velho deseja uma adolescente de 14 anos. Livro e filme foram vítimas da lei criada no século 19 que estabeleceu a pedofilia como crime.
  

A BATALHA DE ARGEL (La Battaglia di Argeri, Itália, 1966), de Gillo Pontecorvo, com Brahim Hadjadi, Jean Martin e Yacef Saadi. 121 minutos.

Baseado em fatos históricos da guerra da Argélia no período 1964-1962, quando o país lutou contra o colonizador francês, provou confrontos entre radicais argelinos e franceses logo após o seu lançamento. Obra fundamental do cinema político. Na França, liberado em 1979 e logo em seguida proibido, continuou censurado até 2004, mas raramente conseguiu alguma exibição, o que ocorreu fora do circuito. As cenas de tortura foram cortadas nas cópias exibidas nos EUA e no Reino Unido. Em 2003, foi exibido no Pentágono para oficiais e especialistas que discutiam as dificuldades militares no Iraque. O tema era: como vencer a batalha contra o terrorismo e perder a guerra de ideias.


A RELIGIOSA (Suzanne Simonin, Le Religieuse, França, 1966), de Jacques Rivette, com Anna Karina, Micheline Presle e Wolfgang Reichman. 135 minutos.

O romance de Denis Diderot (1713-84), escrito em 1780 e só publicado após a sua morte, teve uma adaptação que ganhou dimensão de choque e escândalo junto aos religiosos europeus. Proibido na França após uma série de protestos e quando 12 mil cartas chegaram ao Ministério da Informação pedindo a sua retirada de cartaz sob a acusação de anticristão e difamatório – no que foi atendido pelo governo do militar Charles DeGaulle -, o filme só retornou um ano depois. O produtor, indiciado judicialmente, saiu inocentado. O enredo aborda o drama de uma jovem obrigada a entrar para um convento e se deparar com uma Madre Superiora lésbica. Aqui no Brasil, foi liberado, mas com vários cortes.


BONNIE & CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS (Bonnie & Clyde, EUA, 1967), de Arthur Penn, com Warren Beatty, Faye Dunaway, Gene Hackman e Estelle Parsons. 111 minutos.

A Warner não acreditava no potencial do roteiro de David Newman e Robert Benton, os quais romancearam a história de Bonnie Parker e Clyde Barrow, assaltantes de bancos e criminosos que aterrorizou os estados centrais dos EUA na década de 30, época em que o país vivia a Grande Depressão econômica, tanto que ofereceu a Warren Beatty, um novato que chegava ao estúdio com potencial de ser galã, o cargo de produtor e ator, motivado pela oferta de 60% da bilheteria. Influenciado pela nouvelle vague francesa, logo que ingressou nos cinemas foi alçado à polêmica sob a acusação de glorificar 2 assassinos, além de exacerbar a violência. No entanto, a discussão só serviu para elevar o filme ao conhecimento do público, o qual o transformou em um grande sucesso de bilheteria – e Warren Beatty em milionário. Sua renda chegou aos US$ 70 milhoes.
  

A TRITEZA E A PIEDADE (Le chagrin et la Pitié, França, 1969), de Marcel Ophuls. Montado em 2 partes: O Colapso (L’effondrement), com 122, e A Escolha (Le Croix), com 129 minutos.

Lançado logo o movimento estudantil de maio de 1968 na França, este documentário de Marcel Ophuls, 86, é hoje uma raridade em termos de cinema político, sendo um dos pouquíssimos registros do colaboracionismo francês ao nazismo, uma vergonha histórica para a nação européia. Demolidora de mitos, mostra que a população resistiu aos invasores, mas as autoridades, não. É uma visão contundente da época na qual Klaus Barbie (1913-91), cognominado O Açogueiro de Lyon, oficial da Gestapo, que cometeu torturas horrendas, perseguiu e capturou judeus franceses para enviá-los aos campos de concretação. Utilizando-se de imagens de arquivos, Ophuls registra depoimentos de oficiais alemães, colaboracionistas, membros da resistência francesa, pessoas do governo da época, muma tentativa de compreensão os motivos do colaboracionismo. Políticos gaulistas e setores da inteligência acusaram o filme de antipatriótico. Acredite: o filme está inspirando a Comissão da Verdade brasileira.


Z (Z, França-Argélia, 1969), de Costa-Gavras, com Yves Montand, Irene Papas e Jean-Louis Trintgnant. 127 minutos.

Tendo por base o romance homônimo do escritor grego Vassilis Vassilikos, Costa-Gavras fez este pungente e agressivo thriller sobre a ditadura militar que controlou a Grécia de 1967 a 1974. O enredo aborda o assassinato de um político liberal de esquerda, cuja investigação é obstruída pelos militares, os quais protegem os responsáveis pelo crime. Proibido no Brasil pela Junta Militar, só veio a ser liberado em 1980.

Texto e imagens reproduzidos do site: blogs.diariodonordeste.com.br

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Crítica de Rubens Ewald Filho, ao famoso filme: "Bonequinha de Luxo"


Bonequinha de Luxo (1961)
Rubens Ewald Filho
Especial para o UOL Cinema
Nota: 4
Bonequinha de Luxo.

Na história original de Truman Capote, Holly era uma "call-girl ", mas isso se dilui no filme por causa da figura de Audrey, classuda demais para ser coisa tão vulgar.

Esta comédia romântica super famosa é mais irregular do que se imagina. Tem absurdos como Mickey Rooney fazendo um oriental, o espanhol Jose Luis de Villalonga como um brasileiro e a ótima Patricia Neal, desperdiçada como a amante mais velha.

O que não envelheceu é a charmosa situação do título original (Holly tomava seu café da manhã na frente da famosa joalheria Tiffany`s, na Quinta Avenida) e a trilha musical premiada com o Oscar, que inclui a música tema "Moon River", de Mancini e Mercer, cantada pela própria Audrey.

E é claro, a estrela que, como sempre, está elegantésima e inesquecível. Audrey torna este filme um cult encantador. Mas a edição bem que podia trazer algo mais, hein? Em 2000, Jennifer Love Hewitt, estrelou telefilme chamado "Audrey Hepburn/ The Audrey Hepburn Story", dando grande ênfase a este filme. Faz parte da coleção Audrey Hepburn.

Texto reproduzido do site: cinema.uol.com.br